7 – O Sagrado no Homem

O número 7, ou heptágono entre as figuras geométricas planas, foi considerado pelos pitagóricos como um número perfeito e de natureza religiosa. Em que sentido era "perfeito"? O que distingue esse número dos demais?

Propriedades estranhas sempre foram atribuídas a este número: foi considerado o número da sorte, mágico, divino, espiritual, relacionado com os poderes da natureza ou Prakritis, é o dragão de 7 cabeças dos mitos purânicos, faz parte dos cálculos mais secretos obtidos por operações matemáticas sobre este número, etc., etc. Para os estudiosos, veja-se aqui uma lista extensa, que o leitor pode avançar se quiser:

  • Os 7 pelicanos alimentados pelo Pelicano rosa-cruz e maçom.
  • As 7 Eternidades ou períodos das estâncias de Dzyan
  • Os 7 Caminhos Benditos, os Senhores Sublimes, Verdades ou Revelações do Budismo Esotérico.
  • Os 7 planetas sagrados, os 7 globos componentes da Terra
  • As 7 Chamas, os Mundos de Maya, os 7 Raios construtores do mundo.
  • Os 7 sentidos esotéricos,
  • As 7 vogais na cabeça da Serpente Gnóstica (as 7 hostes),
  • Os 7 Anjos da Presença,
  • Os 7 Sopros do Dragão,
  • Os 7 Pontos Layas,
  • Os 7 Ramos do conhecimento.
  • Os 7 mistérios da Lua, chamados de Yamaboosi pelos japoneses,
  • As 7 classes de Pitris,
  • Os 7 Lokas frios e 7 quentes,
  • Os 7 degraus de Ouro e os 7 de Prata conduzem ao sagrado Monte Meru da Índia,
  • Os 7 Sobek ou crocodilos sagrados do Antigo Egito,
  • Os 7 Sábios Rishis da Índia, reveladores dos Vedas,
  • Os 7 Kumaras ou seres eternamente jovens e vigilantes da criação,
  • Os 7 estados que a alma tem que passar através do ciclo de encarnações,
  • Os 7 Manus pais da humanidade,
  • As 7 camadas do Ovo do Mundo ou de Brahma,
  • As 7 Chaves ou Dialetos da língua dos Hierofantes,
  • As 7 letras cabalísticas do nome de Jehová,
  • Os dias do ciclo lunar (7×4=28),
  • Os 28 anos de Osíris (7×4)
  • etc, etc, etc.

Há também uma longa lista de fatos históricos e científicos relacionados com o número 7. É um tema quase infinito, veja por exemplo estas duas páginas que coletam mais alguns fatos:

O Sete, um número muito popular – Cuaderno de Cultura Científica

https://culturacientifica.com/2016/06/29/siete-numero-popular/

Por que o 7 é o número mais simbólico de todos – BBC

https://www.bbc.com/mundo/noticias-37108378

Agora vem a difícil pergunta. O número 7 responde a um fato genérico da natureza ou refere-se a uma particularidade humana? Noutras palavras: Percebemos o número 7 como muito importante ao longo da história porque há algo no ser humano relacionado com esse ritmo especial?

A questão é complicada.

Como o ser humano faz parte da natureza, não é um ser separado, e segue as suas mesmas leis gerais. O ritmo septenário é aplicado de maneira particular ao momento evolutivo que representa o ser humano, embora também esteja presente em todo o universo e não apenas no homem.

No entanto, para nós talvez seja mais “sagrado” porque precisamente o Momento Evolutivo ao qual pertencemos toca a sua Sétima Nota.

No simbolismo grego e romano, embora talvez de origem celta remota, uma figura aparece, a acompanhar Asclépio, deus da Medicina, e a Higia, deusa da Saúde (Salus = Salvação). É uma criança chamada “Telesphoros“, ou seja, o “que realiza ou leva ao seu fim ou a sua extinção” a cura ou a saúde. Era o Sétimo dos filhos de Asclépio.

Telésforo era o protetor das crianças. Somos todos crianças, de um certo ponto de vista, mesmo se pentearmos os cabelos grisalhos, porque todos somos um projeto inacabado de nós mesmos, um ser que precisa ser completado, por isso Telésforo, pela mão de Higia, acompanha-nos nesta desafortunada e ao mesmo tempo feliz jornada. Embora no momento pareça que às vezes estejamos a dormir.

A seguinte representação, que aparece na torre de Bollingen, residência de C.G. Jung, expressa simbolicamente seu significado envolvendo-o com uma mandala alquímica quaternária, que tem uma inscrição que diz o seguinte:

Aion (Tempo, Eternidade, o Eón) é um menino que brinca às mesas reais; a realeza é de uma criança. Telesphorus atravessa os lugares obscuros do mundo, como uma estrela que brilha das profundezas, que abre o caminho para as Portas do Sol e a Terra dos Sonhos”

Telesforo faz parte da família de Esculápio junto com os outros seis atores da saúde-salvação (Hygieia, Aceso, Iaso, Aegle, Panacea, Polidario e Machaon) sendo o sétimo filho do Deus da Medicina. É o oculto, sempre coberto por um capuz e capa, porque esta criança ainda não se revelou, não apareceu em todo o seu esplendor.

O seu destino final será algo como o nascimento do Buda, que imediatamente após ser iluminado deu 7 passos para o norte dizendo:

“Eu sou o chefe do mundo, o mais velho do mundo. Este é meu último nascimento. Não haverá um novo devir para mim.”

Em suma, o 7, neste processo humano, no nosso ritmo humano, é dar à luz precisamente a este “Sétimo” fator superior, para torná-lo vivo plenamente em nós, trazer à integridade tudo o que a evolução espiritual nos preparou, o fim de nosso próprio caminho, onde o seis da Sabedoria preparou tudo, através das duras pedras do caminho humano, para fazer nascer, lá na floresta, na escuridão da nossa mente e ser, o filho de luz.


Imagem de capa

Imagem de PayPal.me/FelixMittermeier por Pixabay

Composição MpF

Telesphoros, Creative commons

Esculápio e Telésforo. Atocha/Madrid. Creative commons

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