Anatomia Oculta V – A Coluna Vertebral e a Serpente

Se a "coluna" é o centro do "edifício humano", as estruturas que a compõem deverão ter uma relação determinada com as demais estruturas, visíveis e invisíveis. Evidentemente, na medicina moderna, existem os nervos paravertebrais que interagem com os plexos que, por sua vez, interagem com os órgãos, e além disso, existe a influência do sistema nervoso autónomo, constituído pelos sistemas simpático e parassimpático. Mas, neste artigo damos um passo à frente na compreensão da sua estrutura. Como veremos, a coluna vertebral, na sua estrutura, tem determinadas relações, de forma indireta e analógica, com os corpos subtis do ser humano.

Iniciemos olhando para o aspecto numérico

NÚMERO DE VÉRTEBRAS E SUA ORGANIZAÇÃO

Quantas vértebras temos? Simbolicamente, segundo os maçons, temos 33, eles consideravam a coluna como a imagem de uma escada iniciática, por isso organizavam a sua hierarquia interna em graus, sendo o mais alto o grau 33, cujo escudo podemos ver a seguir:

O triângulo superior, com o número 33, marca o divino, enquanto que as asas das duas águias com espada da justiça nas suas garras, formam o triângulo refletido no mundo inferior. Juntos, formam o hexágono da Sabedoria, ou Selo de Salomão ou de Vishnu:

O lema enfatiza a mesma ideia, “Deus Meumque Jus“, ou “Deus e o Meu Direito”, um lema cujo significado inspirou muitas revoluções modernas, que colocaram a Lei e o Direito acima dos caprichos absolutistas de monarcas e tiranias. Infelizmente, parece que hoje os poderes políticos e sociais se apropriaram dessa ideia, arrebatando a Justiça como direito geral do povo em favor das elites dirigentes.

Como vimos, no artigo “Anatomia Oculta II – A Tradição Egípcia”, a coluna era para os egípcios o símbolo de uma serpente, que por ser terrestre e arrastada pelas paixões mundanas, podia transformar-se em ser espiritual, elevando-se e tornando-se na Serpente Uraeus, ou seja, na serpente desperta, Serpente da Sabedoria e do Olho Divino.

Mas, podemos concluir que existem 33 vértebras? A resposta é simples: NÃO. Por exemplo, diz-se que o cóccix é formado por 4 vértebras, mas em outros casos tem três, inclusive 1, ou se estende consideravelmente, formando, como nos macacos, uma cauda. São casos raros, mas existem.

O número 33 é, portanto, aceite como média. Conforme nos ensinaram na escola, as 33 vértebras distribuem-se da seguinte forma:

  • 7 vértebras cervicais
  • 12 vértebras dorsais
  • 5 vértebras lombares
  • 5 vértebras unidas, no sacro
  • 4 vértebras unidas, no cóccix, por vezes em número variável.

Mas funcionalmente as coisas não são tão claras. Iniciemos, definindo a existência de DOIS CÍRCULOS ou anéis, nos quais se insere o corpo principal da coluna, formados pelo atlas e pela pélvis, localizados acima e abaixo da coluna, respectivamente. Vamos ver:

O TITÃ ATLAS E O CÓCCIX

O nome deste osso tem origem na mitologia, onde é descrito o Titã Atlas castigado por suportar o peso da Terra.

É exatamente essa a função desse anel, sustentar a esfera da cabeça. As saliências laterais permitem que o osso na base do crânio, o occipital, encaixe nessa vértebra.

Mas, não apenas o suporta, como também permite a rotação graças à colaboração do Áxis, uma vértebra única e especial que permite que o atlas gire enquanto sustenta a cabeça. Todo um engenho mecânico evolutivo que permitiu o aparecimento do homem erecto.

A conjunção destas duas “vértebras” serve de eixo à rotação da primeira vértebra, atlas.

Apesar do Atlas ser uma “meia vértebra”, ele está presente, mas nem sempre.

Estudos anatómicos indicam que uma percentagem significativa de pessoas nasce com o atlas soldado ao crânio, e noutras está ausente.

O mais surpreendente é que esta estrutura tão especial, tem uma réplica semelhante abaixo da coluna: o anel pélvico. Um dos ossos, em forma de bico, o cóccix, encaixa na base do sacro. O seu nome em grego faz alusão ao seu formato de bico (vem do grego κόκκυξ (kokkyx) = pássaro cuco) e que permanece, sendo usado na linguagem popular como “osso cuqui”.

CÉLULAS PROCRIADORAS E CÉLULAS VIRGENS

Temos então duas estruturas conectadas, a de cima suporta a estrutura óssea que alberga o Cérebro, “O Construtor no Mundo Mental”, a de baixo que é uma estrutura similar que possui um “osso sagrado” (sacro), dos quais os Nervos relacionam-se tanto com o sistema reprodutivo quanto com os adjacentes que permitem abrigar uma nova vida. É a área do “Construtor no Mundo Material”: A vida transmite-se daqui para outro ser encarnado, para os filhos. Pelo contrário, o pensamento, a mente em seu aspecto superior, cria no mundo das ideias, e mais importante ainda, recria, alimenta, prepara e abre os caminhos para o “Nascimento de Si Mesmo” no mundo espiritual. No nível inferior, as células dos órgãos, os óvulos e os espermatozoides, são gerados aos milhares e milhares. No nível de cima, pelo contrário, as células delicadas que o crânio abriga, os neurónios, reproduzem-se escassamente, apenas criam no subtil. Ou talvez, seja melhor dizer que fenómenos subtis precisam de células “virgens” para se manifestarem no mundo material.

A ligação entre esses dois anéis realiza-se através da coluna vertebral, que abriga no seu interior a medula óssea, que por sua vez possui no seu interior um minúsculo canal central em toda a sua extensão, denominado canal ependimário, por onde circula o líquido cefalorraquidiano e por onde diz a tradição oriental que, se necessário, por ele ascende um fogo especial chamado kundalini, uma serpente ígnea, que em seu curso ascendente despertaria todas as potencialidades dos centros nervosos e subtis. Embora, sendo correto, bem pelo contrário, o desenvolvimento mental e espiritual, a abertura do que os orientais chamam de Olho do Dagma, ou seja, a evolução que permite uma visão espiritual é a que terá a repercussão de activar todos esses canais de energéticos especiais.

SETORES FUNCIONAIS DA COLUNA

Ora bem, funcionalmente, tanto o atlas, em cima, como o cóccix, em baixo, comportam-se como vértebras inconstantes, variáveis na sua morfologia, e até ausentes noutras ocasiões. Portanto, devemos considerar que, embora estejam associados à coluna, devem ser descritas separadamente devido às suas características especiais. Portanto, excluindo as vértebras atlas e cóccix, o número de vértebras na coluna propriamente dita, seria:

  • 6 vértebras cervicais
  • 12 vértebras dorsais
  • 5 vértebras lombares
  • 5 vértebras unidas, no sacro

28 vértebras no total, que definem 4 áreas de 7 vértebras cada. Esta configuração corresponde a algo? Certamente, corresponde aos 4 segmentos funcionais da coluna que ESTÃO MARCADOS PELAS 4 CURVAS DA COLUNA:

Estas relações são interessantes, porque correspondem aos 4 Níveis Globais da constituição do ser humano:

  • Físico (em vermelho)
  • Prânico ou energético (em laranja)
  • Astral ou emocional (em amarelo)
  • Mental (em verde)

Obviamente esses 4 níveis da constituição humana NÃO SÃO OS  NÍVEIS VERTEBRAIS, NEM ORGÂNICOS, mas têm um reflexo na constituição óssea. Assim, em maior detalhe, a coluna vertebral e as correspondentes inervações que dela decorrem, seriam classificadas “funcionalmente” em 4 fragmentos:

  • 1º Fragmento: 7 vértebras, desde a 2ª cervical à 1ª vértebra dorsal. 
  • 2º Fragmento: 7 vértebras, desde a 2ª vértebra dorsal à 8ª vértebra dorsal.
  • 3º Fragmento: 7 vértebras, desde a 9ª vértebra dorsal à 3ª vértebra lombar.● 4º Fragmento: 7 vértebras, desde 4ª lombar à 5ª vértebra do sacro.

Na imagem a seguir, vemos estas correlações, observando as áreas superficiais inervadas por cada um destes fragmentos, que se denominam “dermátomos”.

Iniciando por baixo, a primeira zona, a vermelho, corresponde ao aparelho de reprodução e contacto com a terra e, por analogia, ao nível mais material e físico do ser humano. Elemento Terra.

Por cima, a segunda zona, a laranja, corresponde a todo o conjunto de órgãos e vísceras, relacionados com a nutrição e energia, incluindo os rins, que na medicina chinesa são a sede da “energia ancestral”. Novamente, por analogia, correspondem ao nível prânico ou energético do ser humano. Elemento Água.

A terceira zona, a amarelo, corresponde ao transporte de ar, dos pulmões para o coração e do coração para os órgãos. Além disso, é também onde se manifestam fenómenos emocionais de forma marcante (palpitações, respiração agitada, sensação de “afogamento emocional”, etc.). Por analogia, corresponde ao nível astral-emocional do ser humano. Não é em vão, que sentir alegria “aumenta” o tórax e sentir-se deprimido o retrai e comprime. Elemento Ar.

A terceira zona, a verde, corresponde à manifestação nos braços e mãos do mental e organizacional, além disso, derivam desta zona os nervos motores e sensitivos que inervam tanto a face quanto a superfície do crânio. Portanto, com ampla relação com os órgãos sensitivos, tal como a visão, a audição, o olfato e o paladar, além de abrigar a área cerebral. Analogicamente corresponde ao nível mental. Elemento Fogo.

Portanto, cada um destes fragmentos, globalmente, tem uma relação com funções no nível físico do ser humano, que por sua vez têm uma correspondência analógica com o nível subtil e esotérico. Em publicações futuras, também serão detalhadas as suas relações com os pontos energéticos da Medicina Tradicional Chinesa, com os chakras hindus e com os plexos nervosos reconhecidos pela medicina ocidental.

(Continua)


Imagem de capa

Foto de Anne Nygård na Unsplash

Atlas

Imagem de Albrecht Fietz por Pixabay

Vértebra atlas

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